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As comédias românticas voltaram renovadas [+9 filmes e séries preferidos da Netflix]

As comédias românticas voltaram renovadas [+9 filmes e séries preferidos da Netflix]

Se tem um gênero de filmes e séries considerado o mais “feminino” de todos, este gênero é a comédia romântica. Aquelas histórias de amor, com vários empecilhos para o casal e uma dose (maior ou menor) de comédia para embalar a história.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: fazem você se identificar com a mocinha atrapalhada, e torcer para que ela fique com o cara dos sonhos. As musas dos filmes do gênero em sua época de ouro (lá pelos anos 90 e 2000) eram Julia Roberts, Sandra Bullock, Meg Ryan, Jeniffer Lohan, Reese Witherspoon, e outras.

Alguns filmes também traziam homens como protagonistas. De galãs como Richard Gere, Orlando Bloom e Patrick Dempsey, até atores da comédia pastelão, como Adam Sandler e Jim Carrey.

As mocinhas e mocinhos sempre encontravam seu final feliz, e o público vivia a fantasia romântica plenamente.

O começo do fim

Durante toda a década de 90 e meados dos anos 2000, esses A filmes dominaram uma boa parcela das produções de Hollywood.

Na minha infância e adolescência, as comédias românticas sempre foram, aquele tipo de filme que eu não procurava para assistir. Era o filme que estava passando na Sessão da Tarde e eu assistia da metade para frente em um dia preguiçoso. Jamais fui ao cinema pagar caro para assistir uma comédia romântica. Trocava fácil por um bom documentário (alerta de nerd).

Nada contra o gênero em si, eu apenas não esperava que as comédias românticas fossem filmes super conceituais, inclusive gostava do fato de serem bem leves. Mas eram raros os filmes do tipo que me despertavam interesse pelo enredo.

Alguns filmes do gênero que me divertiram, em geral, foram feitos mais para o fim da “era de ouro” das comédias românticas. Destaco O diabo veste Prada (2006), A mentira (2010) e Missão madrinha de casamento (2011).

O diabo veste Prada (2006)

Em O diabo veste Prada, como você deve saber, Ann Hathaway interpreta Andy, a nova assistente da famosa e megera editora de moda Miranda Presley. O filme foca bastante em como a aparência “desleixada” de Andy não é aceita na indústria da moda.

O interessante é que o filme primeiro reforça todos os estereótipos ligados à moda, como superficialidade, culto à magreza, cabelo liso, salto alto e roupas de grife. Mas termina de forma inesperada. Primeiro quando nos mostra que moda é bem mais que os estereótipos (veja o vídeo abaixo). E depois quando Andy abandona todo o glamour para fazer o que gosta, agora com a autoconfiança renovada. Confesso que não esperava esse final quando assisti pela primeira vez.

O monólogo lendário de Miranda Presley (Meryl Streep) sobre a indústria moda. Como disse um amigo, serve para toda indústria criativa também.

A mentira (2010)

Em A mentira, Emma Stone é Olive, uma estudante do ensino médio que começa a construir uma reputação de “vadia” na escola propositalmente, mesmo sendo virgem. Primeiro ela queria ajudar um amigo que sofria bullying por ser gay, deixando todos acreditarem que eles haviam tido relações em uma festa. Depois mais garotos pedem o mesmo favor, e as coisas saem do controle, e envolvendo muita gente, até professores.

O legal do filme é que ele mostra a hipocrisia dos rapazes da escola que diziam ter saído com ela, e mesmo sabendo que era mentira, a chamavam de piranha. E a hipocrisia dos “amigos” que a abandonaram por conta da sua fama. E como é difícil para ela ter qualquer relação sincera depois disso. Os pais dela são um bônus divertidíssimo.

Missão madrinha de casamento (2011)

Cartaz do filme

Já em Missão madrinha de casamento, Kristen Wiig é Annie, madrinha de Lillian (Maya Rudolph). Annie acaba levando um pouco de caos ao casamento ao enfrentar seus próprios problemas pessoais e ciume da nova amiga de Lillian. O que gosto no filme é que a história é mais sobre a amizade feminina genuína do que sobre o romance do casamento e da madrinha.

O elenco conta com alguns dos maiores nomes femininos da comédia, além das duas citadas, também temos Melissa McCarthy, Ellie Kemper e Rebel Wilson. Algumas das minhas preferidas!

Nem tudo são flores

Esses filmes são algumas das poucas exceções para mim. Em outros filmes geral, eu sentia que muitos dos personagens homens soavam muito grossos e tinha que ser “amansados” pelas mulheres. E elas por sua vez, soavam muito “obcecadas” pelo homem, que muitas vezes era visto de forma idealizada. O contrário também é comum. Mulheres viciadas em trabalho, ou solteironas, e só um homem muito insistente parece ser capas de depertá-la para o amor e domá-la.

Um exemplo dessa relação tóxica é o filme O caçador de recompensas, com Gerard Butler e Jennifer Aniston. Ele trabalha “caçando” e prendendo pessoas que estão em débito com a justiça. Acaba pegando a missão de prender a ex, que claramente não superou. E parece uma criança alternando entre pagar de machão bruto que vai prendê-la ao mesmo tempo que tenta provar que ela ainda o quer. Ela também claramente ainda não o superou, quando demonstra ciume pela namorada dele (que ele inventou apenas para este propósito mesmo), e os dois ficam nessa triste história de gato e rato.


O filme teve uma boa bilheteria de $136 milhões (talvez pelo calibre das estrelas), mas foi mal recebido pela crítica especializada (nota média 2/10 no Metacritic) e pelo público (nota média 5/10). Ou seja, o roteiro com essa dinâmica não funcionou tão bem quanto esperado.

A queda das comédias românticas

Nos anos seguintes, o lucro dos filmes de comédia romântica começou a cair vertiginosamente, e por consequência, Hollywood praticamente abandonou sua produção.

Aparentemente, não era só eu que não me convencia com as histórias de amor engraçadinhas porém ordinárias. Este artigo do G1 fala sobre o declínio do interesse, e por consequência, da produção de comédias românticas em Hollywood. Os produtores citados na matéria atribuem esta queda à uma simples mudança de gosto do público.

Mas os especialistas sugerem outros motivos: principalmente o fato de que as mulheres reais não se identificavam mais com as mulheres retratadas nestes filmes, personagens cujas vidas giram em torno de conseguir um homem, muitas vezes com comportamentos histéricos e surreais.

Quando digo “mulheres”, quero dizer o público e as próprias atrizes. A nova geração de atrizes hollywoodianas está migrando ou até “fugindo” do papel da mocinha indefesa, e assumindo papéis mais complexos, ativos e premiáveis, em gêneros como drama, ação, ficção científica, etc.

Veja por exemplo a Ann Hathaway: começou fazendo comédias românticas, como O Diário da Princesa. Um filme clássico por usar o estereótipo da atriz linda que é “enfeiada” com um óculos, para sofre uma transformação e se tornar a mais bela do filme. Mas, recentemente, Ann direcionou sua carreira para super heroínas e até astronautas.

Emma Stone, Natalie Portman, Amy Adams, Jennifer Lawrence também redirecionaram suas carreiras.

Os homens também mudaram, e muitos não querem ser o príncipe no cavalo branco. Preferem ser retratados como personagens mais humanos, e companheiros de mulheres capazes, alguém com quem possam ter uma relação mais profunda.

A verdade é que os produtores e roteiristas de comédia romântica (na maioria das vezes homens) não souberam acompanhar e se adaptar rapidamente à esta nova realidade e espelhar isto em suas histórias naquele momento.

A renovação das comédias românticas

Esse declínio nas produções de comédias românticas de grande porte abriu um grande espaço para a renovação do gênero. E os grandes responsáveis por isso são as produtoras “estrangeiras” (leia-se, não dos Estados Unidos) e pequenas produções feitas para a TV e streaming.

Quando assinei a Netflix, tive acesso à uma enorme gama de opções sob demanda e comecei a explorar muito mais filmes e séries de diversos gêneros. Voltei a assistir muitas coisas diferentes do que estava acostumada e não tão “mainstream“. Foi o caso do anime (mas isso fica para outro texto), e das comédias românticas.

E qual foi a minha surpresa ao descobrir algumas novas pérolas do estilo, com roteiros bem mais alinhados com a realidade atual das mulheres (e homens também).

Filmes e até séries que mostravam mulheres e homens mais reais, histórias que eram realmente engraçadas e muito românticas. Mulheres que trabalham, estudam, tem interesses e vida além do homem. Homens que tem sentimentos, que choram, ficam confusos, mas não não tratam a mulher como um acessório. Pessoas que conversam sobre seus sentimentos, em vez de ficarem fazendo joguinho de “quem finge que se importa menos”. Finais que são um pouco mais inesperados e mais felizes.

Enfim, as novas comédias românticas são histórias que deixam o coração quentinho de verdade, e são capazes de dar um ânimo num dia não muito bom.

Indico alguns destes filmes e séries novos a seguir.

Para todos os garotos que já amei (2018)

Sou praticamente obrigada a começar por este filme, que foi muito comentado pela crítica como um belo exemplo desta renovação das comédias românticas.

Lara Jean é uma garota tímida que resolveu escrever uma carta para cada garoto que já gostou – mas sem nunca as enviar. Um dia todas as cartar foram enviadas, inclusive para seu vizinho, ex-namorado de sua irmã.

Para disfarçar que gostava do ex-cunhado, ela acaba fingindo um namoro com outro crush e aí as coisas ficam confusas. Um filme bem leve, com personagens cativantes e que também foca nas questões familiares dos personagens.

The Duff (2015)

Mais um filme adolescente highschool, The Duff fala principalmente sobre rótulos. Bianca descobre que conhecida na escola como a D.U.F.F. do seu grupo de amigas. A sigla significa Designated Ugly Fat Friend, ou seja, a amiga gorda e feia, usada para que as outras pareçam mais bonitas, e a pessoa mais acessível do grupo, que serve de ponte para as garotas bonitas.

Bianca se revolta com a situação. Faz então uma troca com seu amigo popular Wesley: ela o ajuda com a aula de ciências e ele a ajuda a ser mais popular. É claro que o grupo de garotas más da escola começam a interferir nos planos de Bianca. Mas a protagonista termina dando uma lição de autoestima e tudo termina bem. Recomendo!

Felicidade por um fio (2018)

Esse filme fala de romance, mas levanta outras questões muito mais profundas sobre beleza, auto-estima, e principalmente racismo.

Violet é uma mulher que está esperando por um pedido de casamento e uma promoção no emprego. Como mulher negra, o filme foca na relação dela com seu cabelo, e como ela tenta ser “perfeita” para atender as expectativas da sociedade, da família, do namorado e de si mesma.

Após uma crise, ela acaba rapando a cabeça – fazendo o big chop, ou grande corte – e tem que lidar com a sua nova estética, e mudar seu pensamento e atitude após a sua decisão impulsiva. Achei o filme bem leve, apesar da temática, e com uma história simples mas interessante.

Sierra Burgees é uma Loser (2018)

Mais um filme high school, com o mesmo ator de “Para todos os garotos que já amei”. Sierra Burgees é uma aluna muito estudiosa, e assim como os outros nerds, sofre com o bullying de seus colegas populares. Porém ela não tem problemas com isso, e prefere ser a garota inteligente e culta do que superficial.

Um dia a garota mais popular da escola resolve pregar uma peça em um pretendente e dá o telefone de Sierra como se fosse o seu. O rapaz passa então a falar com Sierra por mensagens, achando que fala com a outra. E aí as confusões adolescentes se intensificam quando eles se apaixonam, mas ela tem medo revelar sua verdadeira identidade e desfazer o mal entendido.

O filme é um pouco confuso (o que é aquela cena do estacionamento??), mas no fim passa uma mensagem positiva.

Como superar um fora (2018)

Um filme mexicano, muito delicinha de assistir. Maria Fé é uma jovem que se vê sem chão quando seu namorado termina com ela após 6 anos de namoro.

Ela precisa seguir sua vida, apesar de todas as lembranças da casa que dividiam, dos amigos em comum, e dos bons momentos. Maria Fé busca então redescobrir quem é, o que gosta de fazer, e até como flertar. Com o apoio de seus amigos, entre o desapego e as recaídas, ela encontra seu caminho na vida pessoal e até no trabalho.

Mas não se engane, o filme não é triste, pelo contrário. Trata tudo de forma leve e descontraída. E com uma pitada de novela mexicana (incluindo um ex-RBD).

Lovesick (2014 – presente) [série]

Essa série tem um espaço reservado no meu coração. Um grupo de 3 amigos ingleses – Dylan, Evie e Luke – divide um apartamento. Quando Dylan descobre que tem uma doença sexualmente transmissível (mas tratável), precisa reencontrar todas as mulheres com quem transou para informá-las.

Já não fosse o plot da série suficiente para causar cenas constrangedoras e engraçadas, dois dos amigos acabam se apaixonando. A série passa então pelas idas e vindas da vida deles, sempre com o humor contornando as situações.

A história de amor é muito bonitinha, e a amizade entre eles também. Uma série para assistir quando o seu dia não foi muito bom, ou melhorar um dia legal.

3 temporadas. Episódios com cerca de 25min.

Chewing Gum (2015 – presente) [série]

A primeira coisa que você precisa saber sobre essa série é eu ri tanto em um dos episódios, que engasguei e não podia respirar, precisei de ajuda.

Michaela Coel (gênia da TV britânica), é Tracey, uma moça recatada, de uma família religiosa de imigrantes. Namora Ronald há algum tempo, um rapaz da igreja, mas o moço não parece ter interesse por ela (ou por nenhuma outra mulher).

Então ela decide aproveitar sua vida, encontrar um namorado de verdade, enquanto tenta manter uma fachada para sua família religiosa. A série também fala sobre a pobreza, descoberta, tolerância.

As situações de Chewing Gum são tão absurdas e escalam tão rápido, mas ao mesmo tempo não dá para não se identificar um pouco com algumas coisas e rir a ponto de engasgar.

2 temporadas. Episódios com cerca de 25min.

Please Like Me (2013 – 2017) [série]

A namorada de Josh termina com ele e o avisa que ele é gay. Chocado com o término (e com a “revelação” de Claire) ele começa a constatar que ela está certa, ele provavelmente é gay mesmo.

Josh tem que lidar com a nova sexualidade, descobrir como é ser gay, com as questões familiares e os amigos. Muitas cenas engraçadas e constrangedoras, algumas com as quais você pode se identificar facilmente, outras cenas são tristes e te deixam pensando. Essa série australiana é um misto de comédia romântica e drama.

4 temporadas. Episódios com cerca de 25min.

Sex Education

O novo fenômeno da Netflix, estrelando Gillian Anderson e Asa Butterfield, não poderia faltar!

Asa vive Otis, filho de Jean (Gillian) que é uma terapeuta sexual em uma pequena cidade da Inglaterra. Mesmo sem experiência sexual nenhuma e sendo tímido, ele se torna conselheiro sexual da escola, quando Maeve, uma aluna descolada e esperta, percebe o talento e conhecimento que ele tem e propõe que eles abram uma “clínica” e atendam os colegas (mediante pagamento, é claro). Erick, o melhor amigo de Otis também é uma figura, e vive seus dramas e gafes.

Boas risadas, e alguns temas sérios, romances para todos os gostos, conversas honestas sobre sexo. Por isso a série tem sido sucesso de crítica e de audiência. A segunda temporada já está confirmada.

Já assistiu algum desses? O que Achou? Tem algum outro para indicar? Deixe nos comentários!

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